LITERATURA

Resenha de O Visconde Partido ao Meio, por Italo Calvino

Resenha de O Visconde Partido ao Meio, por Italo Calvino

Por faver parte do Clube do Livro do Sesc Faiçalville, em Goiânia, necessariamente leio ao menos 1 livro por mês, mesmo que eu não tivesse o hábito anterior de ler muito anteriormente. Bom, não que eu entraria no clube se eu detestasse ler. Em novembro de 2023, o autor do mês era Italo Calvino, e escolhi o romance O Visconde Partido ao Meio, escrito em 1952. O romance  faz parte de uma trilogia chamada “Os nossos antepassados“, que inclui também “O cavaleiro inexistente” e “O barão nas árvores“. Esta trilogia representa uma árvore genealógica simbólica do homem contemporâneo, caracterizado por sua alienação, divisão e incompletude. Entretanto, será que realmente compensa ler?

Na real, eu gostei bastante. Engraçado que sequer peguei emprestado o livro na biblioteca, pois muitos livros estavam sem a sinopse na parte de trás da capa, e ensaiei por dias para saber se compraria ou não pela Amazon. Acabei por comprar e com um total de 0 de arrependimentos. É um livro curto, de apenas 100 páginas, então a gente lê em pouco tempo. Sem mais delongas, confira abaixo sobre o que se trata.

Sinopse:

O visconde partido ao meio, publicado originalmente em 1952, veio a compor com O cavaleiro inexistente e O barão nas árvores uma trilogia a que Italo Calvino (1923-85) chamou de Os nossos antepassados, uma espécie de árvore genealógica do homem contemporâneo, alienado, dividido, incompleto. É a história de Medardo di Terralba, o voluntarioso visconde que, na defesa da cristandade contra os turcos, leva um tiro de canhão no peito, mas sobrevive, ficando absurdamente partido ao meio. A metade direita atormentada pela maldade, e a esquerda, pela bondade. “Ainda bem que a bala de canhão dividiu-o apenas em dois”, comentam aliviadas suas vítimas. – Amazon

 

Enredo

O enredo de O Visconde Partido ao Meio gira em torno de Medardo di Terralba, mas sendo trabalhada de uma forma que achei um tanto surrealista. Medardo é voluntarioso visconde que estava na guerra contra os turcos, em uma das típicas e incoerentes guerras em nome de Deus. Ao defender a cristandade, o nosso protagonista é atingido por um tiro de canhão no peito, sobrevivendo de maneira bizarra, com seu corpo dividido ao meio. Sim, de forma literal, ele teve seu corpo perfeitamente dividido e sobreviveu. Por isso, enquanto lemos a obra, a gente crê que o autor teve suas inspirações no surrealismo.

O engraçado é que o canhão também dividiu a personalidade do Medardo di Terralba com isto: a sua maldade ficou toda na metade direita, enquanto a metade esquerda permaneceu com todos as suas boas características, incluindo um grande altruísmo. Contudo, a metade resgatada nos destroços foi justamente a sua metada repleta de crueldade.

O Visconde Partido ao Meio é contado sob a perspectiva de seu sobrinho. O garoto, cujo nome não sabemos, é filho da falecida irmã de Medardo, mas como era fora de qualquer casamento, a família quase nem se importava com o garoto. Era apenas um “bastardo”. Sendo assim, o nosso narrador foi criado pelas empregadas da família. Embore more no que poderíamos considerar um luxo, o garoto ainda vê a sua ama quase como a sua mãe, e tem amizade com muitas pessoas da região, independente de suas origens. Com interesse em ciências, o narrador passa muito tempo com o médico local, mas anda com as pessoas mais simples também. Isso tudo ajuda ele a notar todas as maldades de seu tio…

Compensa ler O Visconde Partido ao Meio, por Italo Calvino?

Sim, compensa! O Visconde Partido ao Meio, escrito por Ítalo Calvino, é uma obra notável que cativa os leitores desde sua primeira página até o seu surpreendente desfecho. A narrativa, centrada no Visconde Medardo, oferece uma perspectiva única sobre a dualidade humana e os dilemas éticos. A habilidade de Calvino em explorar questões profundas com leveza e humor é verdadeiramente excepcional. A riqueza de detalhes e a construção cuidadosa dos personagens contribuem para a imersão do leitor no universo peculiar criado pelo autor. Cada capítulo revela camadas adicionais de significado, convidando-nos a refletir sobre a natureza da identidade, da moralidade e da busca pela integridade em um mundo muitas vezes fragmentado.

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Caroline Ishida Date

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