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Documentário Sobre memória e esquecimento, sobre o direito à memória no Brasil, estreia no IDFA

O que resta de uma pessoa depois da morte? Ossos, pertences, imagens ou memórias? E por quanto tempo esses vestígios conseguem permanecer antes de desaparecerem? Essas são algumas das questões que conduzem Sobre memória e esquecimento, documentário dirigido por Ricardo Martensen, selecionado para o International Documentary Film Festival Amsterdam (IDFA) 2026, na Holanda, considerado um dos principais festivais de documentários do mundo. A produção integra a seção Frontlight, dedicada a filmes que examinam criticamente a verdade e exploram, por meio de diferentes abordagens artísticas, questões urgentes da sociedade contemporânea.

Documentário Sobre memória e esquecimento, sobre o direito à memória no Brasil, estreia no International Documentary Film Festival Amsterdam (IDFA) 2026

A partir de histórias situadas em diferentes períodos da história brasileira, o longa-metragem acompanha pessoas que lutam para preservar vestígios de existências ameaçadas pelo esquecimento. Ao abordar perdas pessoais e episódios marcantes da história nacional, a produção propõe uma reflexão sobre a importância da memória, o direito à verdade e os esforços para manter vivas histórias que correm o risco de ser apagadas. O filme tem estreia prevista nos cinemas brasileiros para dezembro de 2026.

Entre as personagens retratadas está Vilma Teresa Padilha, que tinha apenas 11 anos quando seu pai, o caminhoneiro José Padilha Aguilar, desapareceu, em 1972. Sua história evidencia as consequências duradouras do desaparecimento de um familiar e a luta para preservar sua memória diante da ausência de respostas.

O documentário também apresenta a trajetória de Zodja Pereira, filha de Hiram de Lima Pereira. Jornalista, ator, deputado federal e dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Hiram desapareceu em 15 de janeiro de 1975, após mais de dez anos de perseguições promovidas pelo regime militar. Seu caso integra a história dos desaparecimentos políticos ocorridos durante a ditadura no Brasil e das famílias que continuam buscando reconhecimento e esclarecimentos sobre o destino de seus parentes.

Outra história abordada é a de Débora Maria da Silva, fundadora do Movimento Independente Mães de Maio. Seu filho, Edson Rogério Silva dos Santos, que trabalhava como gari, foi uma das centenas de vítimas dos chamados Crimes de Maio de 2006, uma série de assassinatos e episódios de violência registrados no estado de São Paulo. Por meio de sua trajetória e de sua atuação na luta por justiça, o filme amplia a discussão sobre a memória das vítimas da violência e o papel dos familiares na preservação dessas histórias.

Ao reunir experiências de diferentes contextos históricos e sociais, Sobre memória e esquecimento coloca em evidência a importância de preservar as lembranças individuais e coletivas. A produção também convida o público a refletir sobre quem tem suas histórias reconhecidas, quais acontecimentos permanecem na memória pública e o que acontece quando vidas e experiências são relegadas ao esquecimento.

O documentário visita o Cemitério Dom Bosco, em Perus, onde, em 1990, foi descoberta uma vala clandestina com 1.049 conjuntos de restos mortais. Ali, entre ossadas sem nome, repousavam histórias apagadas pela ditadura e pelo esquecimento. Desde então, investigações buscam devolver nomes e memórias àqueles que tiveram suas vidas e identidades silenciadas.

Sobre memória e esquecimento  chega às telas depois de uma trajetória de desenvolvimento que passou por importantes programas internacionais dedicados ao cinema documental. O projeto recebeu apoio do Sundance Institute Documentary Film Program, bolsas de desenvolvimento e produção do IDFA Bertha Fund e apoio da Fondation Alter-Ciné. Em 2024, Martensen também participou do IDFA Project Space com um corte do longa.

A produção é de Eliane Ferreira e Caroline Yonamine, e o filme é produzido pela Muiraquitã Filmes. O filme tem patrocínio do BNDES e do Governo Federal e foi contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio do Fomento CULTSP / ProAC, do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas. O projeto também recebeu recursos do ProAC Expresso LAB, via Lei Aldir Blanc, e do Fundo De Volta aos Sets, do Projeto Paradiso.

 

Fonte: Correspondência por e-mail

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Caroline Ishida Date

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