
O desaparecimento de Honestino Guimarães, líder estudantil, ex presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e aluno da Universidade de Brasília (UnB), constitui um dos casos mais emblemáticos da violência de Estado durante a ditadura militar brasileira. Preso em 1973, aos 26 anos, Honestino nunca mais foi visto, tornando-se um dos inúmeros desaparecidos políticos do período. Sua história é o ponto de partida de HONESTINO , novo filme dirigido por Aurélio Michiles, produzido por Nilson Rodrigues e com participação de Bruno Gagliasso.
Em uma proposta que combina documentário e ficção, a trajetória de Honestino Guimarães é reconstituída a partir de cartas, poemas, imagens de arquivo e depoimentos de familiares, amigos, políticos e militantes, entre eles Almino Afonso, Jorge Bodanzky, Franklin Martins e Betty Almeida, biógrafa do líder estudantil. Essa diversidade de relatos contribui para revelar tanto a dimensão humana quanto a importância política de um jovem cuja atuação marcou a luta estudantil. Além disso, também ajudou a construir um legado que continua inspirando novas gerações.
Relembrar a trajetória de Honestino também representa um importante exercício de preservação da memória histórica sobre um dos períodos mais sombrios do Brasil, marcado por prisões arbitrárias, torturas, assassinatos e desaparecimentos forçados. Entre o início da década de 1970 e meados daquele período, outros nomes também se tornaram símbolos da violência praticada pelo regime militar, como Rubens Paiva, Vladimir Herzog e José Carlos da Mata Machado. Ao revisitar essas histórias, o filme reforça a importância da memória como instrumento de reflexão e de defesa da democracia.
Ex-deputado federal cassado após o golpe de 1964, Rubens Paiva foi preso em sua casa, no Rio de Janeiro, em janeiro de 1971, e levado por agentes do Estado. Nunca mais voltou para a família. Seu caso se tornou um dos mais conhecidos exemplos de ocultação de cadáver e negação da verdade durante a ditadura. Dois anos depois, em 1973, o país também perderia Honestino Guimarães e José Carlos da Mata Machado, ambos ligados ao movimento estudantil. Zé Carlos, como era conhecido, foi estudante de Direito da UFMG, vice-presidente da UNE e militante da Ação Popular Marxista-Leninista.
Preso em outubro de 1973, foi levado a órgãos de repressão e morto sob tortura no DOI-CODI do Recife. E, em 1975, o Brasil perderia também o jornalista Vladimir Herzog. A versão oficial da época tentou sustentar que ele teria cometido suicídio. Entretanto, testemunhos, decisões judiciais e documentos posteriores reconheceram a responsabilidade do Estado por sua prisão, tortura e morte.
HONESTINO estreia nos cinemas brasileiros no dia 13 de agosto, com distribuição da Pandora Filmes. Antes de sua chegada ao circuito comercial, o longa acumulou reconhecimento em importantes festivais nacionais. A produção recebeu o Troféu Redentor de Melhor Montagem no Festival do Rio, integrou a seleção da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e do DH Fest, Festival de Cultura em Direitos Humanos, além de conquistar premiação no Fest Aruanda, consolidando sua trajetória de destaque no circuito audiovisual brasileiro.
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