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Resenha de FUTURO FUTURO (2026), filme de Davi Pretto

FUTURO FUTURO, novo filme do cineasta gaúcho Davi Pretto, diretor de Continente, estreará nos cinemas brasileiros em 23 de julho, com distribuição da Cajuína Filmes. Ambientada em um futuro próximo, a produção acompanha K, um homem de 40 anos que desperta sem memória. Aqui, Davi Pretto utiliza IA para refletir sobre riscos cognitivos inspirados pelo ciberpunk e pela cultura hacker.

O filme conquistou o último Festival de Cinema de Brasília o Troféu Candango de Melhor Longa-Metragem pelo Júri Oficial. Além disso, também foi premiado por Melhor Roteiro, Montagem e Menção Honrosa para o ator Zé Maria Pescador. O filme estreou mundialmente na competição do importante Festival Internacional de Karlovy Vary, na República Tcheca, um dos mais antigos da Europa. Então? Será que compensa assistir ao filme? Confira abaixo, aqui na Nii-Sans Produções, a nossa resenha de FUTURO FUTURO, filme de Davi Pretto.

Nossos agradecimentos à distribuidora pela oportunidade de cabine de imprensa.

Ficha Técnica

  • Direção e Roteiro: Davi Pretto
  • Produção: Paola Wink e Jessica Luz
  • Fotografia: Leonardo Feliciano
  • Montagem: Bruno Carboni, EDT
  • Direção de Arte: Dayane Paz
  • Figurino: Gabriela Güez
  • Caracterização: Juliane Senna
  • Música Original: Rita Zart e Carlos Ferreira
  • Desenho e Mixagem de Som: Tiago Bello
  • Som Direto: Tomaz Borges
  • Título original: Futuro Futuro
  • Título em inglês: Future Future
  • Gênero: Drama, Lo-fi, Sci-fi
  • Duração: 86 min
  • Ano e país de produção: Brasil, 2025
  • Formato: DCP, 2K, 24FPS, FLAT 1.85, 5.1, Color
  • Locações de filmagem: Porto Alegre, Rio Grande do Sul
  • Produção: Vulcana Cinema
  • Coprodução: Atelier W
  • Financiamento: FSA, BRDE, ANCINE, FAC RS
  • Patrocínio: BNDES
  • Distribuição: Atelier W e Cajuína Filmes
  • Laboratórios e Mercados: Festival Internacional de Cine de Cartagena de Indias – FICCI – WIP IBEROAMÉRICA

 

Sobre a classificação indicativa. No material de divulgação para a imprensa, essa informação não aparece. Já no Google, consta como recomendado para maiores de 12 anos. Particularmente, eu classificaria o filme como 14 anos, por causa do consumo de álcool e das referências a sexo presentes na história.

A trama

O filme abre apresentando o conceito de neurodeflação súbita, uma erosão cognitiva capaz de provocar alterações neurológicas severas e perda de memória. É justamente essa condição que afeta o protagonista, conhecido apenas como K. Sem conseguir se lembrar do próprio nome, ele passa a ser identificado pela letra tatuada em seu ombro, transformando esse simples detalhe em sua única referência de identidade.

O início da narrativa é lento e aposta em um clima onírico. Durante vários instantes, a câmera apenas acompanha K dormindo antes de seu despertar, estabelecendo um ritmo propositalmente lento. Os momentos mais interessantes surgem quando ele divide a tela com seu amigo. É nessas cenas que o filme ganha um pouco mais de humanidade e realismo, mostrando os dois jantando, caminhando pela cidade e conversando sobre trabalho, rotina e as dificuldades de viver em um mundo onde inúmeras profissões foram extintas. Claro, a direção continua privilegiando um ritmo cadenciado. Entretanto, essas interações cotidianas tornam a experiência muito mais envolvente do que as sequências praticamente estáticas.

K e a Inteligência Artificial

A produção investiga de forma provocativa o uso de imagens geradas por Inteligência Artificial, um tema que desperta intensos debates tanto na indústria cinematográfica quanto no cotidiano. O longa propõe uma reflexão sobre os impactos cognitivos, sociais e políticos da IA, mostrando como essa tecnologia pode transformar o trabalho, alterar as relações humanas e até modificar a forma como percebemos a realidade. Paralelamente, também discute os desafios enfrentados pelo cinema independente em um cenário marcado por crises climáticas e pela crescente presença de imagens artificiais.

O Oráculo

K conheceu esse senhor de idade durante o período em que ambos frequentavam uma escola voltada para estudos envolvendo Inteligência Artificial. Morando na região mais pobre da cidade, ele observa à distância a parte rica da metrópole, praticamente inalcançável. Graças a isso, ele passa a sonhar todas as noites com um casal que vive em um luxuoso condomínio, cercado por festas, conforto e uma vida boêmia. Enquanto isso, uma professora conduz pesquisas e cursos relacionados à Inteligência Artificial, elemento que se torna cada vez mais importante para a trama.

O roteiro demora um pouco para explicar melhor o funcionamento dessa escola e dos estudos realizados ali. No começo, a impressão é de que tudo faz parte de algum experimento estranho, já que as pessoas parecem participar das atividades sem qualquer processo convencional de matrícula ou apresentação.

Outro elemento importante é o Oráculo, uma Inteligência Artificial que desempenha papel central na história. Os usuários colocam uma espécie de fone de ouvido para interagir com o sistema, que projeta imagens e proporciona experiências visuais diretamente para quem o utiliza, ampliando ainda mais a atmosfera de mistério construída pelo filme.

E o restante da história? Isso você vai precisar assistir para descobrir.

 

Nossas considerações finais na resenha de FUTURO FUTURO (2026), filme de Davi Pretto

K intrigado enquanto observa a parte rica da cidade, distante no horizonte

Davi Pretto parte de uma proposta bastante interessante, embora eu tenha muitos poréns aqui. Afinal, a execução não agrada fãs facilmente. A gente precisa ter um pouco de paciência, porque o filme tem um ritmo bem lento. Quase estático, como falei acima. A proposta é interessante, principalmente para quem gosta de ficção científica, e o elenco é muito competente. Ainda assim, me questiono se essa história não teria funcionado melhor como um curta-metragem. Mesmo com o talento dos atores, tive a impressão de que eles foram pouco aproveitados.

E a cena da balada, então? Acho que nunca vi uma sequência em uma festa ser tão arrastada. Além disso, a trilha sonora estava alta demais, a ponto de encobrir os diálogos em vários momentos. As vozes já estavam baixas o tempo todo, o que acabou atrapalhando bastante. Assisti pelo computador, pela cabine de imprensa, com o volume quase no máximo. Afinal, como eu assisto um filme se não entendo o que os atores falam?

A narrativa poderia ser mais dinâmica e objetiva, especialmente na maneira como apresenta seu universo e suas ideias. Evidentemente, ninguém espera um filme de ação nos moldes das produções da Marvel ou da DC, repleto de batalhas, explosões e reviravoltas. No entanto, existe um meio-termo entre um ritmo frenético e uma narrativa excessivamente contemplativa. FUTURO FUTURO demora para explicar conceitos importantes e, por diversas vezes, prolonga cenas que pouco acrescentam ao desenvolvimento da história. Como consequência, o espectador pode passar boa parte da exibição tentando compreender as regras daquele mundo, quando o ideal seria receber essas respostas de forma mais natural e gradual. A curiosidade sobre o funcionamento dessa sociedade existe, mas o roteiro leva tempo demais para satisfazê-la.

 

Trailer

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Austra Caroline

Jornalista Digital, pós-graduada pela Uninter. Atualmente, atua em projetos diretamente relacionados à Cultura e Educação Patrimonial, além de ser dona da Universo Japanese Music e trabalhar como redatora freelancer da Nii-Sans Produções, portal geek do Centro-Oeste brasileiro.

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